Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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1 de agosto de 2017

Quem votar a favor de Temer é mesmo um representante do povo?

A Câmara dos Deputados é composta por 513 deputados federais, com mandato de quatro anos, representantes do povo, eleitos pelo sistema proporcional em cada estado, em cada território e no Distrito Federal. Em tese, os ilustres parlamentares deveriam sempre tomar decisões que refletissem a vontade da maioria da população que representam. Não é o que assistimos hoje em relação á votação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer pela prática de crime de corrupção passiva. Para se livrar de um possível impeachment e até perda do mandato, Temer passou a distribuir bilhões de reais em liberação de emendas parlamentares e de verbas para realização de obras em redutos de deputados que se comprometam a rejeitar o pedido da PGR, numa verdadeira compra de votos. São necessários dois terços dos votos (342) para que a abertura do processo de impeachment seja recomendada para o Senado Federal (abstenções e ausências são votos contra a abertura do processo). Aprovado no plenário da Câmara, o pedido é repassado para o Senado, que é responsável pelo julgamento propriamente dito, provocando o afastamento do presidente pelo prazo de até 180 dias, podendo chegar à cassação do mandato. Recente pesquisa indica que 167 deputados são favoráveis à aprovação do pedido, 112 são contrários, 76 se dizem indecisos, e 127 não se pronunciaram (o presidente da Câmara não vota). Ontem o Ibope divulgou o resultado de uma pesquisa na qual 81 % dos entrevistados querem que o pedido seja aprovado, 14% são contrários, e 26% estão indecisos. Se os deputados fossem votar de acordo com a vontade popular, seriam 416 votos pelo andamento do processo, 71 são contrários, e 26 ainda indecisos. Mas, desde quando os políticos brasileiros são verdadeiramente representantes do povo? Há algo a ser observado: os nomes dos votantes serão mostrados no painel eletrônico e os que livrarem Temer só voltarão ao cargo se o eleitor votar neles em 2018.

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