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3 de maio de 2010

Presidente nunca foi cabo eleitoral. Só agora

Nunca antes na história deste país foi visto um presidente da República se esforçar tanto para eleger seu sucessor. O que Lula vem fazendo para tentar eleger Dilma Rousseff para ocupar sua cadeira em 2011 é inédito no Brasil. Não se tem conhecimento de nenhum caso semelhante desde a implantação da República no Brasil. Além de ter passado seus dois mandatos se comportando como se em palanque de campanha estivesse, Lula também conseguiu o ineditismo de ser multado duas vezes por estar infringindo a legislação eleitoral, por antecipar a campanha, segundo entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE);

Recentemente Lula afirmou que iria cumprir horário de expediente de funcionário público, das 8 às 17 horas, para poder dedicar o restante do dia na campanha de Dilma, ou seja, nos horários livres ele não seria Presidente da República, mas sim cabo eleitoral de sua candidata. Isso também é algo que nunca antes na história deste país tenha acontecido. Neste último final de semana Lula se superou. Num pronunciamento feito em cadeia nacional de rádio e TV, à propósito do Dia do Trabalho, ele foi bem claro ao dizer a todo o país que deseja a continuidade de seu governo. Se isso não é pedir votos para sua candidata, não se sabe mais o que seja;

Depois, Lula foi mais longe ao participar de evento também relativo ao 1º de Maio organizado por entidades sindicais, falando abertamente quem era a pessoa que ele gostaria de ver eleita em 3 de outubro. Não seria nenhuma novidade se os centrais sindicais não houvessem recebido patrocínio de entidades governamentais para um evento direcionado aos trabalhadores mas que foi transformado em comício com Lula no palanque acompanhado de sua candidata, caracterizando o uso de recursos públicos numa manifestação política, o que é proibido por lei;

Vê-se por essas e outras que já não mais se faz Presidente da República com antes, quando eles no período de eleições se comportavam "como magistrados", expressão muito utilizada na época. O povo sabia quem era o candidato da continuidade, pelas afinidades, mas o Chefe do Executivo era incapaz de se comportar como Lula faz hoje;

Mas fica uma expectativa. Lula aposta na sua imensa popularidade apontada nas pesquisas para eleger até um "poste", como muitos acham ser a Dilma, mas certamente o que ocorreu no Chile deveria estar preocupando o PT e o Palácio do Planalto. Os 80% de aprovação da presidenta Bachelet não foram suficientes para barrar a eleição de um candidato da oposição, pois os chilenos preferiram adotar o que acontece nas verdadeiras democracias: a alternância do poder.

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